esse livro tá começando a me causar um desconforto e eu não sei dizer ainda se isso é bom ou ruim. primeiro, obviamente porque a situação com o solitaire tá ficando cada vez pior, mais agressivo, mais dark, mais bizarro. mas também porque esse livro faz vários movimentos que às vezes são um pouco contrários e eu sinto que eu to ao mesmo tempo parado no mesmo lugar e sendo arrastado por um trem bala sem escolha.
⚠️ daqui pra frente pode ser que eu spoile um pouquinho mas sem muitos detalhes, leia por conta e risco.
claramente é muito acertado que o livro ande num ritmo de certa forma devagar devido à lentidão da própria tori. vamos lá: ela tem depressão. ou algo muito próximo disso. pensamentos suicidas, falta de interesse por absolutamente tudo na vida, poderia ficar o resto da vida na cama vendo filme e escrevendo num blog mas sem necessariamente interagindo com outras pessoas. se sente desinteressante, um pedaço de merda, não acha que faz diferença na vida das pessoas ou até que não é merecedora das amizades que tem. e mesmo assim, mesmo que ela reconheça ou se incomode com alguns dos seus comportamentos, ela não consegue mudar isso. yeah, been there.
sendo assim, ela tem essa atitude meio não me importo, não me interesso, não farei nada a respeito. parece que a história (e a vida dela imo) só anda quando tem influência do michael, e pouquíssimas vezes quando ela tem a iniciativa de falar com o michael, ligar pra ele, visitar ele. e aí de repente tem o contra-movimento, ela surta, briga com ele, se afasta dele. eles se reconciliam, a coisa volta a andar, e repete. de novo e de novo. então eu sinto um pouco esse movimento de anda, para, anda, para.
agora com o solitaire ficando cada vez mais agressivo, parece que ela finalmente teve um choque de realidade que isso precisa parar, e ninguém se importa além dela, pela primeira vez na vida. talvez o michael, mas ele ainda é sus imo.
essa é a parte em que eu sinto que me amarram num trem-bala, porque parece que a coisa finalmente tomou um rumo muito abrupto e eu me sinto sem fôlego e agoniado o tempo todo, ao passo que não tem nada exatamente acontecendo a não ser a tori ter ficado completamente obcecada pelo solitaire, ter surtado pra cima de todo mundo que ela conhece por causa disso, mas não poder fazer nada porque tanto ela como nós leitores precisamos esperar até sexta-feira, que é quando o solitaire finalmente vai dar continuidade à narrativa.
sinto que por um lado esse desconforto é bom justamente por não ser um livro bonitinho divertidinho ahahaha adolescência e sim um livro que acompanha uma personagem complicada, com questões complicadas e uma mentalidade complicada, e agora uma problemática mais complicada ainda que é a do blog. então é meio como estar na pele da tori mesmo, acompanhando os surtos dela e a agonia dela em ver o solitaire acontecendo (ou prestes a acontecer) e não poder fazer muito, não ver ninguém fazendo nada enquanto tem gente se machucando de verdade. acho que isso faz parte de uma boa leitura mesmo.