eu escuto todos os barulhos do mundo. as risadas do outro lado da parede. o gato miando procurando você. o ruído estranho do meu ouvido contra o travesseiro.
todos os sons do mundo fazem meu silêncio-protesto parecer ridículo. todos os sons do mundo me engolem e eu viro pó que ainda tem forma de corpo. os carros na rua passam quase em cima do meu peito e tudo por causa de alguém com o mesmo nome que o seu.
porque no final das contas, sempre tem a ver com você.
eu dando em cima de qualquer um tem a ver com não suportar o silêncio que você não sabia fazer na hora de dormir. eu me importar com estranhos tem a ver com não poder me importar com a única pessoa que faz sentido. eu perder a fé no felizes para sempre tem a ver com o fato de que nunca fomos felizes se nada dura pra sempre, e estávamos sempre sobrevivendo entre os intervalos de tempo que haviam entre a minha existência e a de todo o resto.
os barulhos do mundo se misturam com os da minha cabeça e eu já não sei o que é falso ou não. não importa se é falso ou não até que se saiba a verdade e dessa vez a verdade é que todos os barulhos do mundo me deixam cego e eu caio em todos os buracos da estrada. a verdade é que tudo no silêncio da sua ausência me faz perder a noção de espaço e eu não sei onde acaba a ferida e começa o sague.
os barulhos do sino da igreja me paralisam todas as vezes e quando o seu gato deita no meu peito não sei se me sinto como segunda opção ou se é só um prêmio de consolação.
um prêmio por ter sobrevivido a todos os barulhos que o mundo faz na ausência do seu.