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Public ・ 01.03

2026.01.02 (Fri)
O primeiro found family do mundo!! ⭐️⭐️⭐️⭐️ Um retrato realista de vidas que, apesar de fictícias e de décadas atrás, representam a dura verdade de centenas de pessoas (muitas delas crianças) que são marginalizadas e frequentemente culpadas pelo próprio sofrimento. Jorge Amado faz um trabalho incrível expondo a inocência que ainda permeia na mente de crianças que já vivem vidas tão violentas mesmo com pouca idade, e que são violentadas e rejeitadas pelo próprio sistema que deveria as proteger, por não as verem mais como crianças devido a dor que as acomete e a qual elas não tem culpa. É emocionante ler sobre o desejo de ser amado que eles ainda carregam, mesmo que fracamente, dentro de si e acho que isso representa muito bom os traços de criança que ainda permeiam neles. Eles buscavam pertencimento e, infelizmente, só conseguiram o encontrar na vida tumultuosa que compartilhavam. Existe uma razão bem óbvia por esse livro estar correndo o risco de ser censurado, ou por estar sendo tirado das escolas brasileiras. Ele é uma imagem verídica de uma realidade que permeia ainda hoje e exercita nosso pensamento crítico e simpatia com o modo de vida com o outro ao percebermos que, grande parte das vezes, não temos tanto controle assim sob o destino que acreditamos que escolhemos. A empatia e a humanidade é algo perigoso para o pequeno grupo que deseja permanecer no poder, e o exercício de empatia que Jorge Amado nos causa é marcante. Um clássico brasileiro que COM CERTEZA vale a pena ser lido!!
“Não era como um quadro sem moldura. Era como a moldura de inúmeros quadros. Como quadros de uma fita de cinema. Vidas de luta e de coragem. De miséria também. Uma vontade de ficar. Mas que adiantava ficar? Se fosse, poderia ser de melhor ajuda. Mostraria aquelas vidas...”
pág 230, Capitães de Areia