Public ・ 02.01

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2026.02.01 (Sun)

[1 artigo por dia pra eu ficar mais inteligente e menos refém do feed, amém] Esse artigo reforçou que a rotina pode ser prisão quando é automática, mas vira casa quando é sagrada, e casa é exatamente o que cura desamparo. Mega conectado com ontem :) • Não era “só ansiedade”, era desamparo disfarçado de controle Ela começa bem confessional e afiada: a ansiedade, pra ela, vinha dessa tentativa de fazer a vida caber nos próprios ideais, como se esforço e planejamento fossem um jeito de blindar o futuro. Quando isso falha, aparece o desamparo, aquela sensação de ser miúda diante da existência e de que a vida não é negociável.  • O desamparo como sintoma social da nossa época Ela costura a ideia de pós modernidade como uma era de riscos e perda de confiança nas grandes promessas, com crises políticas, econômicas, tecnológicas e climáticas no pano de fundo. E aí vem o ponto que dói porque é real: mesmo com hiperconexão, a gente vive mais solitário, mais carente e mais desconectado, e isso alimenta o desamparo em massa.  • Quando a comunidade enfraquece, a alma fica sem chão Ela lembra que o humano precisa de comunidade pra existir e que, por séculos, laços foram sustentados por mitos, ritos, língua, folclore, história. Aí entra Max Weber com a ideia de desencantamento e burocratização, como se o mundo fosse ficando “sem alma” e mais administrado do que vivido.  • Desenraizamento é a doença mãe do nosso tempo Aqui ela ancora forte em Simone Weil pra dizer que perder raízes é perigosíssimo e que isso se multiplica, porque gente desenraizada tende a buscar compensação em controle, poder, objetos, relações e ideais de sucesso. O que era pra preencher o buraco só aumenta o buraco.  • O retorno ao Tao como antídoto do desamparo Ela muda a chave pro Zhuangzi e apresenta o Tao como Caminho e fluxo, algo que não dá pra “entender bonito”, só experimentar. O que eu guardo daqui é a imagem de que, quando você está no fluxo, a vida para de parecer uma guerra de controle e vira presença, simplicidade e união com algo maior, com espaço pra contemplação e pra não forçar o mundo.  • Rituais como tecnologia de atenção e de inteireza A ponte dela é muito boa: ela coloca Byung-Chul Han pra conversar com isso, via a crítica ao nosso tempo acelerado e disperso, em que déficit de atenção e depressão aparecem como sintomas. E aí ela trata contemplação como estágio alto da atenção, quase como uma habilidade espiritual, uma forma de voltar pra si e recuperar potência de agir.  • O que Dias Perfeitos ensina na prática: rotina sagrada Ela descreve o filme de Wim Wenders como um convite pra desacelerar o olhar e reencontrar o subterrâneo silencioso da vida, onde o tempo não corre, repousa. E usa o personagem Hirayama como símbolo de uma vida feita de pequenos rituais de presença, com repetição, cuidado e limpeza como uma oração discreta contra o ruído moderno. Não é romantizar pobreza nem “simplicidade” como moralismo, é mostrar felicidade como disposição de uma alma atenta, que encontra prazer no dever e sentido no gesto pequeno. 

Dei-me conta de que a vida é um imperativo. Soberana. Ela é o que ela é, e nenhum de nós tem o poder de contorná-la, suborná-la ou controlá-la. Foi nesse exato momento que percebi que era uma pessoa ansiosa porque desejava, de alguma forma, fazer com que a vida coubesse em meus ideais para que eu pudesse me sentir bem dentro de mim mesma.

A revolução verde não acabou com a fome, a política de bem-estar social não existe mais nem na Europa. Não confiamos na Democracia representativa. O valor do nosso trabalho não possibilita mais a construção de uma vida segura.

O nascimento da modernidade, como descreveu Max Weber, através da burocratização, produz o desencantamento do mundo. Se antes os ritos e mitos possibilitavam o vínculo social, hoje são as regras do sistema burocrático que possibilitam a ordem social.

Para Weil, ter raízes significa participar “de modo real, ativo e natural” numa comunidade que mantém “tesouros do passado” e “expectativas para o futuro”.

Amamos a realidade porque percebemos e sentimos que ela é perfeita como tem que ser e que tudo quer nos ajudar a permanecer no nosso caminho, a buscar o nosso caminho, mesmo nas adversidades. Até a doença é a tentativa do corpo-psique de restaurar nosso equilíbrio, a nossa harmonia.

O distanciamento do Tao e o desaparecimento dos rituais nos transformaram em sujeitos dispersos, frágeis, desatentos, ansiosos, inseguros, inautênticos. Conforme já dito: nunca fomos tão egocêntricos e tão inseguros ao mesmo tempo. A inflação do Ego esconde a profunda insegurança em si e na vida.

Há algo profundamente humano na maneira como ele se move: como se cada ação fosse um pequeno ritual de presença, uma resposta delicada à brutalidade do ruído moderno.

A minha ansiedade, sintomática de meu desamparo, me tornou desenraizada por muito tempo.

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