
Follow friends on the app and stay updated!
Scan the QR code

Follow friends on the app and stay updated!
Scan the QR code
Public ・ 02.04

2026.02.03 (Tue)
[1 artigo por dia pra eu ficar mais inteligente e menos refém do feed, amém] • A identidade massificada dissolve o eu e produz obediência afetiva O texto parte de uma pergunta clássica da ciência política e da psicologia das massas: por que pessoas comuns são capazes de apoiar ou silenciar diante de atrocidades? Autores como Gustave Le Bon, Sigmund Freud, Carl Jung e a Escola de Frankfurt ajudam a desenhar esse cenário em que o indivíduo, ao se fundir ao grupo, perde sua personalidade consciente e passa a agir movido por afetos coletivos. A identidade deixa de ser algo construído internamente e passa a ser uma adesão emocional a uma narrativa, quase sempre organizada em torno de um inimigo comum. O resultado não é força, é fragilidade do eu. • A sociedade de massa produz sujeitos sensíveis demais ao julgamento e impotentes para agir Na leitura que o texto faz da modernidade tardia, a indústria cultural, a racionalidade técnica e a mercantilização da vida psíquica moldam indivíduos homogêneos, com gostos, valores e opiniões “em alta”. Pensar diferente ameaça o pertencimento, e por isso gera ansiedade. O sujeito massificado prefere repetir jargões, compartilhar indignações prontas e seguir a cartilha do grupo a sustentar uma posição própria. Como já apontava Carl Jung ao falar da “psicose de massa”, a multidão suspende o juízo crítico, dilui a responsabilidade ética e anestesia a capacidade de diferenciação. • Sem identidade clara, não há potência de agir Aqui entra com força a chave filosófica de Baruch Spinoza: a potência de agir depende de clareza sobre quem se é. Quando os afetos são moldados externamente, pela aprovação do grupo, o indivíduo se torna reativo, não agente. Ele sente o que todos sentem, deseja o que todos desejam e age conforme o roteiro coletivo. A segurança do grupo poupa o esforço da escolha, mas cobra um preço alto: quanto mais distante de si, mais impotente diante da própria vida. • A individuação é difícil porque rompe com a proteção do grupo O texto reconhece algo importante: viver em grupo sempre foi essencial à sobrevivência humana, e por isso a fidelidade ao coletivo toca camadas profundas da nossa psique. Mas é justamente aí que entra a noção junguiana de individuação. Individuar-se é diferenciar-se, sustentar valores internos mesmo quando eles entram em conflito com os valores do grupo. É um caminho solitário, exige força interna e coragem para suportar julgamento, exclusão e desconforto. Não à toa, como a própria autora lembra, individuação não é para todos. Mas sem ela, o eu se dissolve e a ação vira apenas reação.
as identidades são instrumentos políticos. E é em nome da preservação de uma identidade atrelada a um grupo que pessoas são capazes de silenciar diante das maiores atrocidades.