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Public ・ 02.06

2026.02.05 (Thu)
[1 artigo por dia pra eu ficar mais inteligente e menos refém do feed, amém] • O cansaço não é da internet em si, é da lógica que a transformou em corrida infinita O texto nasce de uma memória concreta: quando produzir conteúdo significava ter um blog, um espaço próprio, um ritmo possível. A virada acontece quando a produção passa a depender da presença constante em múltiplas plataformas e formatos, cada uma exigindo adaptação contínua. O problema não é criar, é nunca poder parar de se adaptar. A internet deixa de ser lugar e vira esteira. O medo começa quando criar passa a exigir mais energia do que devolver sentido. • Plataformas prometem acolhimento, mas reproduzem o mesmo caos que dizem resolver Há um momento de esperança com o Substack, justamente por parecer um retorno ao texto, ao tempo longo, ao conteúdo que não disputa atenção a cada segundo. Mas essa esperança logo se tensiona quando a plataforma começa a incorporar a lógica das redes sociais clássicas: múltiplos formatos, notas rápidas, lives, vídeos. A pergunta que atravessa o texto é simples e angustiante: até quando esse espaço vai sustentar o tipo de criação que me trouxe até aqui. O medo não é do presente, é da repetição do passado. • O vínculo com plataformas gera ansiedade porque tudo parece provisório A autora nomeia um medo que muita gente sente e quase ninguém formula: e se isso acabar. E se a plataforma sair do ar, for banida, perder relevância. O que se perde não é só conteúdo, mas tempo, energia, afeto, história. Depois de quinze anos “caminhando pela internet”, surge o esgotamento de ter que recomeçar sempre do zero, migrando de lugar em lugar, sem nunca poder simplesmente ficar. • O texto não fecha com solução, fecha com reconhecimento coletivo Não há conclusão nem resposta prática. Há um gesto de honestidade: colocar o desconforto em palavras e aceitar que talvez não exista saída clara agora. O texto se oferece como ponto de encontro para quem também se sente perdida, cansada e sobrecarregada pela lógica das redes. O valor está menos em resolver e mais em nomear, criando um raro espaço de identificação num ambiente que costuma exigir performance constante.