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Public ・ 02.28

2026.02.23 (Mon)
Escrever sobre uma obra de Clarice carece que seja feita em minha língua materna. Tamanha potência, realidade e dor existem nas palavras escritas em “A Hora da Estrela”, livro que ela escreveu durante sua batalha contra o câncer, que infelizmente a levou. É possível sentir, através de sua hesitação na escrita, a dor e o seu medo. Macabea assombra meus dias, sinto como se Clarice tivesse me passado a mesma maldição que a assombra durante a contação desta história, eu também a amo, mas não são as minhas escolhas que a condenam. Isso não me exime das macabeas que vejo na rua, pois estas não amo. Seria a ausência deste amor uma forma de condenação? Não sei, não sei se desejo saber. Só sei que quero guardar Macabea em meu coração, protegida, intacta e amada, isolada da dor que ela jamais percebeu, mas sentiu uma vida inteira.
"Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar: eu sou, eu sou, eu sou. Quem era, é que não sabia. Fora buscar no próprio profundo e negro âmago de si mesma o sopro de vida que Deus nos dá."