Ao começar esse mangá, eu esperava encontrar aquele clichê de "academia de magia". Achei que seria uma história acolhedora sobre bruxos fazendo coisas fofas. Embora mantenha perfeitamente aquela sensação deslumbrante de encantamento, a obra despedaçou minhas expectativas. Temos nossa protagonista Coco, Qifrey o pai de menina, seu companheiro Oruggio (muitos shippam eles dois, inclusive eu!), e as meninas do Qifrey; Tetia, Richeh e Agathe. Assim, formam uma família muito vívida e alegre!
O verdadeiro trunfo da obra está na complexidade de seu universo. O Conselho dos Bruxa exerce um controle estatal rigoroso sobre quem pode aprender o ofício, justificando o monopólio do conhecimento como uma medida de segurança para evitar os horrores de guerras passadas. Essa premissa serve de pano de fundo para discussões sociais profundas sobre exclusão e privilégio. O mangá se destaca de forma notável na maneira como aborda a deficiência e a acessibilidade: a magia não é tratada como uma cura milagrosa que apaga as limitações do corpo, mas sim como uma ferramenta de engenharia social voltada para criar meios adaptativos que garantam autonomia a indivíduos marginalizados por uma estrutura rígida.
Em um nível mais profundo e pessoal, adoro como a narrativa traça paralelos constantes com os desafios do mundo real enfrentados por artistas. Síndrome do impostor, bloqueios criativos, está tudo ali. Longe de ser apenas uma história de bruxinha.
Eu geralmente não compro mangás, mas fiz questão de comprar alguns volumes. E quero a coleção toda!