São Paulo é para a América Latina o que Nova Iorque é para os Estados Unidos em termos de negócios, peso econômico, diversidade e experiências. Nasci aqui, fui criada aqui e odeio viver aqui, todo santo dia me imagino fora dessa metrópole. Me sinto sugada, exausta, estou perdendo algo que não se compra; tempo.
Sou a primeira a sair em defesa de comentários que criticam esta cidade, para ela ser perfeita só faltou possuir o litoral do Rio de Janeiro (kkkkkkk). Diversos eventos culturais, shows, museus, culinária boa e o atendimento ao público daqui é de alta qualidade, a cidade é performática demais, ela entrega.
Mas no dia a dia mais da metade da população daqui passa necessidade, o transporte público não dá conta, são demasiadamente cheios, o trânsito é caótico, os aluguéis estão custando o valor do salário mínimo (consegue valores legais se vc aceitar morar MUITO MUITO longe, ou se aceitar morar em um barracão), no mercado até o que deveria ser barato está custando o olho da cara.
Trabalho para sobreviver, sonho em sair daqui (antes era comprar uma casa, mas posterguei o sonho. um elefante na sala: especulação imobiliária gritante) e nem sequer consigo sair pois me encontro na famosa corrida de ratos, como diz Kiyosaki. E não sendo hipócrita, claro, é possível sim aproveitar eventos aqui mesmo sendo desprovida de money, mas a exaustão mental impede muitas pessoas disso.
A cidade é um infinito Beyond The Club para os ricos e uma sala de caldeiras, como no Titanic, para os pobres. Perspectivas sociais.
Eu amo São Paulo, mas não gosto daqui.
Hoje é meu aniversário, e meu maior presente seria poder sair daqui. E não digo sair para uma outra metrópole, eu estou cansada, muito, preciso de silêncio, de mais verde, de mais sol, de tédio, de calma, e sem dúvida alguma de custos de vida acessíveis.
Nas cartas de Paulo existe uma sensação constante de cansaço, de batalha, de urgência. E, de certa forma, a cidade que leva o nome dele herdou algo disso.
