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2026.09.15 (Tue)
Aqui eu sou sempre acostumada a falar de coisas boas, notícias felizes ou apenas agradecer por coisas mínimas da minha vida. Porém, ultimamente pelo caos que se instalou depois da notícia que surgiu, eu não consigo ficar em paz. Por isso eu escrevo. Quero tentar processar as informações, pedir perdão porque genuinamente estou me sentindo culpada, também tentar achar uma forma de aliviar e reagir com todas as informações e principalmente relatar o meu ponto de vista. Não sei se é o correto fazer isso, não sei se devo dar nomes, escrever com detalhes, não sei se irá envolver investigação policial. Real, tá tudo muito bagunçado, mal explicado, mal interpretado… Estou me sentindo tensa, como nunca me senti antes. Preciso do alivio de escrever, mas não sei se é o certo. Talvez essa história toda tenha começado há um ano, ou talvez a bem mais. Não acredito que tenham inocentes e culpados, so acredito que foram uma ordem de fatores errados. Me lembro desse garoto no quinto ano quando ele chegou na escola. Ta, ele sempre foi estranho, mais quieto nada que me fizesse sentir incomodada, até ali ele era invisível. estávamos no quinto ano, em 2022. O Bryan era um menino novo, o João já era um amigo mais popular pelo colégio. Eu não era da sala deles, apenas cheguei no intervalo e descobri que o Bryan tinha dado um soco na cara do João. Bom, como deixei explicado, eu não era da sala deles, não presenciei, era uma criança e não me importava com os fatos. O motivo que eu me lembro, era porque o João estava cutucando muito o Bryan, e então ele estourou. Na época, eu jamais pensaria que aquilo seria um pequeno indício ruim de uma pessoa… né? Não sou profundamente conhecedora sobre psicologia e outros estudos, mas tenho a minha opinião sobre pessoas agressivas, e se uma criança já era agressiva não era um bom sinal, né? O tempo passou, eu gostava de zombar o João, pois realmente ele era um garoto mais chatinho e, toda vez que ele fazia algo irritante eu falava que iria chamar o Bryan para ele. Anos se passaram, o Bryan passou a conviver diariamente comigo e com mais outros alunos em uma sala. Nunca fui minimamente próxima dele, mas sabia que tínhamos uma coisa em comum, somos fã do mesmo filme: tropa de elite e mais para frente isso terá um ponto fundamental para a história. Mais ou menos no oitavo ano, que eu acho que tudo começou. Mais uma vez deixo claro que apenas estou relatando o meu ponto de vista, não tenho o mínimo conhecimento para afirmar alguma coisa da vida do Bryan. Porém, especialmente naquele ano da escola, a maioria dos meus amigos começaram a reclamar de um mal cheio e contudo o Bryan e mais um amigo dele foram os alvos da sala. Todos reclamavam, inclusive a escola que mandava comunicado para os pais dizendo que os filhos tinham que tomar banho. Acho que aqui posso afirmar que foi por essa razão que começou a frustração do Bryan com nosso grupo. Para explicar melhor, minha turma é composta por 18 anos, que basicamente são divido em 3 grupos. O meu de 6 pessoas, cinco garotas e um homem. O grupo maior, que chamamos os “nerds” da sala. Quando digo nerds, são realmente nerds de tudo, nerd de T.I, nerd de anime, de jogos, memes horríveis, piada de nazismo… Não iriei entrar em detalhes, porque não sou inserida nesse meio. O terceiro grupo, o menos importante são os meninos que jogam futebol, são hetero top, um chatice e são mais amigos do meu grupinho. É notável os esteriótipos em cada grupo. Desde muito tempo me recordo de sempre existir uma pequena tensão entre o meu Grupo e o Grupão (vou chamar o grupo dos “nerds” de grupão, por serem os maiores em questão de pessoas). Definitivamente não precisa de esforço para imaginar que existia uma linha tênue de tensão, não era algo explosivo e explícito, vivíamos em hamornias e arrisco dizer que no coletivo éramos bem unidos, para mim o famoso estamos juntos e separados. Mas, era do conhecimento comum de todos da sala que basicamente cresceram juntos (do quarto ano até o nono) que existia as discordâncias, consequentemente uma pequena “raiva” acumulada de uns para outros. Eu, sempre tive mais desavenças com o Filipe e estranhamente era o que eu mais tinha intimidade, mentira o que eu mais conversava e gosto é o Caetano. Porém, sei que o Filipe não suporta o Diego, o meu amigo. O Diego é o tipo de pessoa escandalosa, e até mesmo eu por várias vezes não conseguia suportar. Ele é uma pessoa boa, afinal, é meu amigo. Mas, também consegue ser uma pessoa ruim, uma pessoa egoísta, uma pessoa que gosta de ridicularizar dos outros. E infelizmente o Bryan foi o alvo perfeito para o Diego. Eu me recordo exatamente de quando o Diego começou a implicar MUITO com o Bryan, porque ele fedia. E junto surgiram as piadas, quando o Bryan passava perto o Diego exageradamente tampava o nariz, saia correndo, etc. Sinceramente, eu nunca senti mal cheiro do Bryan. Mas, não sou diferente do Diego e dos meus outros amigos, todos nós achávamos engraçado e riamos das piadas. Acredito que o que mais fez com que o Bryan fosse uma piada “eterna” no nosso grupo, porque estranhamente as piadas envolvendo ele demoraram muito tempo para deixar de ser chato, era porque colocamos dois apelidos nele: Mi e Anbry (Bryan ao contrário). Eu particularmente não acho que era exatamente pelo Bryan, o “mi” e o “anbry” parecia uma “gíria”. Não importava o assunto, o importante era falar uma dessas duas palavras, porque soava engraçado. No começo eu nem sabia que era por causa do Bryan, descobri depois.. Isso tudo foi se acumulando, logo começou as reclamações do Bryan para a secretaria. Os principais nomes sempre foram Diego, Alice e Manuela. Uma vez iríamos apresentar um trabalho na televisão, a Alice pelo notebook entrou no WhatsApp dela, a foto do nosso grupo era uma montagem do Bryan, não lembro exatamente qual. mas, tinham várias. Fizeram montagem e histórias de IA minha e do Bryan, tipo um romance de tropa de elite, porque como disse no começo tínhamos isso em comum. Mesmo que eu goste do filme por ter uma opinião, e o Bryan ter outra. Enfim, a sala inteira ficou sabendo que usávamos fotos dele, é isso estranhamente passou batido, pois não me recordo de alguém ter sido punido, o que seria o justo, né? Não quero me passar como vítima, eu estava no meio, eu ria junto, não queria e nem quero me ferrar. Isso tudo se repetiu por mais uns meses, acho que fomos parar realmente um pouco antes das férias, que foi justamente quando o Bryan começou a planejar o “massacre”? Eu não sei nem como rotular isso, ainda é pesado para mim. Na sexta feira, dia 11 de setembro, o Bryan tentou se matar com um tiro na barriga. No domingo recebemos a notícia, ele já estava estável. Entretanto, o pai dele foi preso de sexta para o sábado e passou por uma audiência de custódia, a mãe do Bryan parece que está brava com a escola e os alunos. É uma mistura de sentimentos muito ruim e confuso. Uma hora eu fico em choque, outra eu me culpo. A gente realmente nunca imagina que isso pode acontecer com a gente. Eu não estou realmente envolvida nessa história, apenas 3 nomes citados anteriormente. Não sei se irá envolver polícia, não sei como vai ser quando voltar. Me sinto terrível, desde domingo parece que uma sombra me acompanha a todo instante. Sei que errei, não sei como consertar. Me sinto naquele estado em que colocamos a mão na cabeça sem saber controlar a desordem ao nosso redor. O nervosismo é constante dentro de cada um, eu sei disso. Na sala todos ficam quieto, no grupo do WhatsApp que não parava um segundo, agora está vazio, estão evitando totalmente mandar mensagens lá. A Alice, saiu do grupo, está de castigo. Os outros dois envolvidos, não consigo sentir que eles estão arrependidos, isso me deixa ainda pior. Tenho raiva do pai do Bryan que tinha uma arma em casa, uma arma ilegal. Não consigo imaginar como será os próximos dias, fico ainda mais nervosa só de imaginar como será quando ele voltar. Acho que expôs muito dessa história, senão até contaria como ele está no hospital. Também não quero expor as opiniões ao meu redor, não faz sentido trazer aqui. O intuito é tentar me auto acolher, digerir tudo desde do começo e principalmente tentar esvaziar a mente. Dentro de casa as coisas também não estão boa, estou com problemas de saúde e quase não tenho mais ânimo para tentar fazer as coisas. O tempo no celular me consome viva, a noite é difícil pegar no sono. Mas, quando não durmo demais eu durmo pouco. Parece que sou a mais afetada com essa história toda, será que é remorso ou empatia? Me sinto tão insegura, não consigo afirmar se eu tinha implicância com o garoto, ou se eu apenas andava no lugar errado. Isso me destrói por dentro, me causa fraqueza, me dá vontade de chorar. Tudo seria tão pior se ele tivesse morrido.