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2026.05.31 (Sun)
O hoje se assemelha ao ontem, e todos os dias parecem um interminável looping de mais do mesmo. Quando se cresce como uma criança sensitiva e observadora, sente-se bem. “Eu consigo perceber coisas que outros podem demorar um pequeno ou considerável período de tempo.” “Não preciso que me diga como se sente, eu consigo sentir, fisicamente, a sua dor em mim.” Até perceber que não vai conseguir levar ninguém consigo, que dificilmente seria capaz de arrastá-los para fora daquela gosma escura e densa que os puxa para dentro tal qual areia movediça. Que estrangula suas gargantas, enrolando-se em suas dermes até que não possua um único fio de voz. Que abafa suas audições ao próprio som, tomando a capacidade de, ativamente, escutarem. Que nubla a visão, os tornando um fantoche racional, o controlado que promete estar se autocontrolando. Até ser afastada por possuir percepções bem posicionadas, até ter a confiança traída após baixar a guarda. E então o esgotamento chega, o cansaço de falar, de interagir, de viver. De ver situações sendo complicadas de maneiras que não necessitavam, mas então você se cala, se fecha. Não vale a pena. Mais do mesmo. Dia após dia. E uma única certeza se sobressai: Talvez esse lugar, de fato, não seja para você. E é uma sensação que mora contigo a tanto tempo, que seu aperto é familiar. Esse lugar não é para mim. — V.
05.31
você escreve muito bem, leria um livro seu FÁ CIL