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2026.05.18 (Mon) ~ 06.05 (Fri)
Eu demorei demais para escrever essa review porque é muito difícil explicar tudo o que We Are All Trying Here me fez sentir, e mesmo mais de um mês depois, eu ainda acho que não consigo elaborar uma review a altura desse drama. Acho que o que My Mister, My Liberation Notes e We Are All Trying Here (todos dramas da mesma autora) tem em comum é falar sobre sentimentos que talvez a maioria de nós não teria coragem de admitir sentir. Falando por mim, isso muita vezes me trouxe certo desconforto, mas ao mesmo tempo um grande alívio por ver um personagem extravasar esses sentimentos que a gente tende a guardar para nós mesmos por vergonha ou só por não ser "socialmente aceito" pensar algumas coisas, como por exemplo, sentir inveja, se sentir desapontado com a vida mesmo que ela pareça boa, arrependimentos, ressentimentos, a falta de propósito etc. Eu diria que o que a Park Hae Young faz em seus trabalhos é justamente pegar tudo aquilo que faz de nós imperfeitos e, de forma muito honesta e brutal, esfregar na nossa cara que é isso que faz de nós mundanos - e é lindo de ver. Como o título já diz: "nós estamos todos tentando aqui", ou seja, tá todo mundo tentando viver a sua vida da melhor forma possível, mas não necessariamente estamos vivendo de forma perfeita ou esperada? Eu particularmente gosto muito de pensar que estamos todos "vivendo pela primeira vez também", que ninguém nasce sabendo como a vida tem que ser e todo mundo suscetível a cometer erros, mas não há o que fazer quanto a isso sem ser continuar vivendo - e eu acho que esse drama foca bastante nessa ideia. Falando um pouco sobre o drama em si: eu gosto muito que a história se passe em meio a diretores, produtores, atores etc de cinema. Eu tenho muito interesse no assunto, então sempre me brilha aos olhos ver os ~bastidores da sétima arte. O drama trás muitas reflexões sobre o cenário atual não apenas do cinema em si, mas também sobre artistas, como o mercado está tratando as produções e o que significa a chegada da IA nesse meio. Há muitos diálogos o processo de criação que fazem sentido para a história, mas que também me pareceram desabafos e reflexões da própria roteirista, afinal, ela também é alguém que está nesse meio. Eu acredito que muita gente se irritaria demais com os personagens, mas eu acho a grande maioria deles incríveis sendo pessoas insuportáveis hahahaha Brincadeiras a parte, o que eu mais gosto sobre esses personagens é que eles são pessoas com muitos defeitos e que cometem vários erros de tal forma que eles parecem muito reais. É claro que há alguns exageros (não duvido que existam pessoas iguais, porém), mas suas questões consigo mesmos bem como em seus relacionamentos parecem muito palpáveis e, acima de tudo, humanos. Gosto muito também que a autora não tenta dar uma lição de moral ou fazer com que tudo se ajuste de forma mágica para os personagens: ela trás uma ideia a ser cultivada e que vai pedir tempo para florescer - ou não, porque We Are All Trying Here não é sobre cura, mas sim sobre enntender que é possível sim seguir em frente mesmo com nossas dores e imperfeições. Dito tudo isso, além do roteiro, eu preciso elogiar a performance impecável desse elenco que é inteiro só com atores absurdos e que, se não fossem tão talentosos, esse drama com toda certeza não teria funcionado tão bem. Destaco aqui especialmente o Koo Kyo Hwan e a Go You Jung, que conseguem dizer tanto só com o olhar ou uma mudança sutil na linguagem corporal. Apesar da abordagem melancólica e reflexiva, eu não achei esse drama pesado ou até mesmo triste mesmo que toque em assuntos delicados - muito pelo contrário, em alguns momentos eu soltei uma gargalhada sincera assistindo. Eu acho que é um drama que trás conforto no desconforto, uma história catartica e que, de alguma forma, ressoou de forma bastante positiva em mim. Eu diria que We Are All Trying Here não é o cup of tea de todo mundo, mas certamente é um drama que todo mundo deveria assistir. É uma história que vai refletir sobre nosso íntimo, nossas imperfeições, e que ainda assim vai fazer com que a gente abrace tudo isso. É um drama que faz com que a gente se sinta confortado por saber que nós não estamos sozinhos, que há em algum lugar do mundo alguém que se sente da mesma maneira que nós, e que, no final do dia, todo mundo só tá tentando encontrar o seu propósito e sobreviver. Essa review já tá bem longa mas eu poderia passar horas aqui falando sobre WAATH e ainda assim não seria o suficiente (inclusive, sinto que não comentei nem metade do que poderia sobre esse drama), mas eu digo com toda a certeza que é o drama do ano e que é recomendadissimo!
All stories are just cries that we exist. "I exist in such a painful way." "I exist in such a sad way." "I exist in such a depressed way." "I exist in such a humorous way." We get 100 years at best. Everything disappears in 100 years, so does anything truly exist if it disappears? To lay those doubts to rest, you end up desperately writing stories. If you have to write stories, for as long as you live, you might as well make them humorous. I couldn't live that way, but you can live with humor.