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전체 공개 ・ 2025.11.07
2025.11.06 (Thu)
tenho percebido essa semana, mais do que normalmente já me afeta, o quanto eu tenho um problema sério de falta de ambições e perspectiva de futuro quando se trata de qualquer coisa, seja estudos, carreira, relacionamento, família, objetivos pessoais num geral. não sei ao certo dizer de onde vem esse problema, se é fruto das minhas guerras internas durante o ensino médio ou até mesmo algo anterior a isso, só na terapia pra saber, mas me parece ser algo que me acompanha desde sempre, e eu tenho vivido muito com um objetivo muito simples: sobreviver, e de preferência com algum prazer. a minha narrativa aqui começa no ensino médio quando eu, como qualquer adolescente, precisava tomar a grande decisão do que cursar na faculdade. eu fiz o pas desde o primeiro ano, fiz o enem no terceiro, e passei os três anos inteiros me questionando: o que eu quero pro meu futuro? foi só no terceiro ano que eu percebi o quanto eu gostava de estudar a gramática do português nas aulas e o quanto me dava satisfação ajudar meus colegas a tentar entender as regras malucas do português ou até mesmo do inglês para fazer as provas. foi com isso que eu decidi "ah vai ser isso mesmo" e coloquei letras português como opção nos vestibulares, só pra não dizer que não tinha escolhido nada. então os resultados para o segundo semestre de 2019 saíram. eu não passei na primeira chamada da unb e minha mãe ficou devastada, no mesmo dia que saiu o resultado começou a pesquisar as particulares daqui pra saber melhor e me ajudar a escolher pra onde eu iria. eu mesma não senti absolutamente nada. se me perguntassem na época, eu não me importava em passar pra unb, porque eu não me importava muito com nada, já que eu não tinha essa perspectiva de futuro, nem mesmo tinha um objetivo ou um "sonho" relacionado a esse curso ainda. a segunda chamada veio e dessa vez meu nome estava lá 🎉 mamãe ficou super aliviada e eu fiquei feliz que pelo menos não faria ela pagar mais alguns anos de ensino particular pra alguém que nem sequer sabia o que tava fazendo. e lá foi eu me jogar no mundo das letras e começar minha jornada de autodescoberta. felizmente, a licenciatura em letras é mesmo o meu lugar e hoje em dia eu não tenho dúvidas disso, não sei como eu demorei tanto tempo pra perceber isso. além disso, sou extremamente apaixonada pela unb e grata por ter conseguido passar pelo pas. mas aí entramos em um novo ciclo de falta de perspectiva. todos os meus colegas de curso parecem saber bem o que querem: sobre o que vão falar no tcc, quando querem se formar, o que vão fazer depois da graduação, onde ou com o que exatamente querem trabalhar, e por aí vai. quando me perguntam o que eu quero, se eu penso em fazer tal coisa (uma pós, ou trabalhar em tal contexto), minha resposta é sempre algo em torno de "não sei", "ainda não pensei nisso" ou o famoso "o que vier é lucro", que é muito como eu tenho vivido desde sempre (lembra como eu não ligava muito pra qual faculdade eu iria?). além disso, minha atitude com quase tudo geralmente é deixar pra depois. estágio não obrigatório? não é tão importante agora. horas complementares? quando eu estiver na dupla eu vou atrás. pós-graduação? depois da graduação eu penso nisso. tema de tcc? em algum momento aparece algo. trabalhar com adolescentes, crianças ou adultos? o que vier. o problema é que por mais "tranquila" que eu pareça ser com tudo, na verdade beira um relaxamento que me incomoda profundamente às vezes, e eu fico esperando eu algum dia finalmente amadurecer e aprender a definir meu futuro e tomar minhas próprias decisões, mas até hoje isso não aconteceu e sinceramente não sei se vai acontecer magicamente, sem algum esforço. essa inquietação voltou a me cutucar essa semana conforme eu fui participando das atividades do ComPLA, evento organizado pelo programa de pós-graduação em linguística aplicada da unb, e pela primeira vez na vida eu comecei a considerar uma pós. minha amiga me enviou o material sobre o pgla, apresentado numa das primeiras atividades do evento, e eu dei uma lida pela tarde, me imaginando participando do programa daqui a alguns anos, com um misto de empolgação por ter um possível novo objetivo e ao mesmo tempo um pouco daquele medo que eu sempre tenho de "e se eu não for capaz? e se não for pra mim?" por mais que eu tenha me empolgado e arquivado essa ideia como um possível futuro objetivo na minha mente, eu não deixo de considerar que esse foi mais um dos presentes que caiu no meu colo por "sorte" ou por influência de outras pessoas. assim como eu tive a oportunidade de dar aulas de italiano no unb idiomas ano passado e continuar lecionando hoje em dia particularmente por conta de uma decisão e oportunidade trazida pela minha ex professora de italiano da universidade, sinto que eu só tive esse contato e participação com o evento do pgla pela influência e empolgação da mafê. e assim como também eu ter passado na unb na época foi um "acaso" de eu ter ido bem no pas, e ter prosseguido com a matrícula com certeza pelo impulso da minha mãe. é claro que eu sou extremamente grata a essas pessoas e oportunidades por aparecerem na minha vida e me guiarem para o que tem funcionado tão bem e que tem me feito tão feliz na minha jornada acadêmica e docente, mas ao mesmo tempo é um senso de culpa que me alerta o tempo todo que eu não necessariamente estou tomando decisões ou me esforçando o suficiente para conseguir o que eu quero ou o que é bom pro meu futuro por conta própria, e que eu venho contando com a sorte desde sempre. como de costume, esse é mais um desabafo sem conclusão que eu deixo pra levar pra terapia quando eu finalmente tiver uma terapeuta, porque nem isso eu consigo resolver na minha vida atualmente, mas por hoje concluo apenas com minha gratidão pelo ComPLA, pelas oportunidades que eu tenho tido nos últimos anos, por esse ambiente maravilhoso de formação de professores que a unb me proporciona; um pouco de empolgação por surgir um novo futuro objetivo pra considerar com calma em outro momento; e, por fim, cansaço, porque talvez seja isso que esteja me afetando tanto depois de três dias seguidos de muita atividade acadêmica, interação com ambientes novos e imersão numa realidade que antes parecia tão distante de mim, mas que agora soa tão acolhedora e como um espaço que eu poderia ocupar se quiser e fizer por onde daqui pra frente.