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전체 공개 ・ 02.05

2026.02.05 (Thu)
Eu vou ser bem direta: 5 estrelas, favorito do ano, e já entrou na categoria de livro que eu vou reler. E isso é engraçado porque eu fui ler achando que ia ser só “livro de hype” do Instagram e do TikTok, aquele que todo mundo fala e no fim é só ok. Só que não. Esse livro mexeu muito comigo. O que mais me pegou foi o tema de identidade. Sabe quando a gente vai, aos poucos, adiando a própria identidade pra conseguir caber em grupo, em relação, em expectativa? Aqui isso aparece de um jeito que doeu e curou ao mesmo tempo. A protagonista está se reconstruindo depois de um divórcio, não é spoiler, e o livro acompanha esse processo com uma honestidade que eu achei rara. Não é sobre “superar rápido”. É sobre entender, processar, olhar pra si sem fugir e perceber que você existia antes e ainda existe depois. E aí vem a parte que me desmontou: a forma como ela vai criando relações e conversas com as pessoas ao redor conforme ela vai entendendo quem ela é. Tem um olhar de fora, quase neutro mesmo, que é muito poderoso. Como se ela finalmente pudesse dizer: eu não preciso te agradar, eu vou te falar a verdade. E ao mesmo tempo, ela enxerga como os outros também estão tentando se encaixar, o tempo todo, e isso cria umas cenas e diálogos que batem fundo. Eu me vi nela em vários momentos. Eu me senti como ela. Também amei a estrutura. A leitura é muito fluida, mas não é vazia. O livro não fica maçante em nenhum momento, e pra mim o mais gostoso foi justamente isso: eu não amei só o final, eu amei o desenvolvimento inteiro. Desde o comecinho. A forma como a autora constrói as percepções, como ela faz análise sem pesar a mão, como cada capítulo vai encaixando uma peça. E como bônus pessoal: eu sou suspeita, mas eu amo quando o livro cita literatura de um jeito leve, e aqui isso funciona muito, até porque a protagonista é professora de literatura. Pra mim, foi um ponto altíssimo, porque dá aquela sensação de estar lendo algo inteligente, mas ainda assim humano e acessível. No fim, eu saí desse livro com uma sensação muito específica: a de que ser quem você é não precisa ser um pedido de desculpas. E é por isso que ele virou favorito. Estamos na fase da Phoebe ou da Lila?
Mas é assim que acontece, Phoebe se dá conta. Um momento fingindo ser incrível leva ao momento seguinte fingindo ser incrível, e dez anos mais tarde ela percebe que passou a vida toda só fingindo ser incrível.
Porque falar as coisas em voz alta é o primeiro passo para elas virarem reais.
Seu marido não vai cuidar de você do jeito que você imagina — fala Phoebe. — Ninguém pode cuidar de você do jeito que você precisa cuidar de si mesma. É seu trabalho cuidar assim de si.
É tão fácil odiar a Mrs. Dalloway por se preocupar tanto com sua festa idiota, assim como é fácil odiar a noiva, pensa ela. Mas, no fim, todo mundo vai à festa e é isso que importa. É a Mrs. Dalloway que une todos eles num mundo moderno cheio de rodovias e guerras e doenças que vivem separando as pessoas. Se o problema é a solidão, então, nesse sentido, e talvez apenas nesse sentido, a Mrs. Dalloway é a heroína por dar a todos um lugar onde estar.
E talvez todos eles sejam solitários. Talvez esse só seja o significado de ser uma pessoa. Estar o tempo todo lidando com ser um único ser humano num único corpo. Talvez todo mundo fique sentado à noite criando argumentos para justificar por que é a pessoa mais solitária do mundo.