" Este lugar parece a lembrança que alguém tem de uma cidade, e a lembrança está sumindo. É como se nunca tivesse havido nada aqui além de pântano. "
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ— Rust Cohle.
Me recomendaram muito essa série pq eu sempre fui muito fã da obra do Robert W. Chambers "O Rei de Amarelo" e de séries de detetives.
No início, não sei pq me lembrei bastante da série de 2013, Hannibal, principalmente com toda relação de chifres de veados nas cenas de crime quanto na semelhança do Rust Cohle e o Will Graham no quesito de serem investigadores igualmente perturbados, mas não iguais, mesmo que sejam séries bem diferentes tanto de narrativa como plano de câmera, é meio difícil não perceber a semelhança mesmo que ambos não tenham relação além de serem séries sobre assassinatos. É bem perceptível as inspirações de Nic Pizzolatto com Twin Peaks, o horror da atmosfera derivado de David Lynch. Vale ressaltar também as inspirações em casos reais de cultos que Nic Pizzolatto se inspirou sendo um deles o caso da Igreja Hossana, em que a igreja estava envolvida em casos de abuso sexual de cerca de 24 crianças e também mutilações de animais para fins ritualisticos e também de diversos outros cultos sexuais satânicos nos Estados Unidos.
Mas falando mesmo sobre a trama, eu demorei um pouco para ter interesse na história durante os 3 primeiros episódios já que eles servem pra te explicar o que ocorreu em 1995 por serem muito lentos (mesmo que sinceramente não acho uma falha, mas ao mesmo tempo foi o que demorou pra me fisgar) mas a trama começa de verdade quando voltamos para o ano em que tudo está se passando: 2012, quando ocorre mais um assassinato semelhante ao caso perturbador em que Rust Cohle e Martin Eric Hart solucionaram em 1995. O Culto que envolve o Rei de Amarelo não é muito explicado durante a série, a única coisa que sabemos é que muitas pessoas da elite de Louisiana estão envolvidas e que eram adoradores de vodu e também pedófilos, tendo gerações envolvidas ao culto, sendo também os responsáveis pela fita envolvendo algo horrível que aconteceu com Marie Fontenot.
Algo que eu gosto bastante na série é a visão que Errol Childress tem sobre o Rei de Amarelo e Carcosa, o fato de que ele provavelmente foi abusado pelo pai/avô e que também deve ter sido obrigado a observar/participar das ações do culto deixam bem claro o quanto isso afetou o mental dele ao ponto de ficar obcecado com o culto e criar sua própria versão dessa """"religião"""" e começou a matar pessoas de forma elaborada e encenando os próprios crimes e deixando diversas pistas com a intenção de ser pego, deixando bem claro que a sua provável saída desse ciclo perturbado era morrendo para os detetives. Nunca tivemos pistas sobre quem realmente é o Rei de Amarelo, mas sim a visão distorcida de Errol já que não havia muitas pistas do culto original à não ser a fita de VHS de Marie Fontenot. Uma coisa que percebi assim como uma outra pessoa que também avaliou mencionado esse assunto, é como essa obra envolve muito a violência contra a mulher e ao mesmo tempo as personagens femininas só servirem como ou testemunhas do crime (que é bem pouco) ou interesses românticos sexualizados aos protagonistas (que ocorre na maioria do tempo da série), e olha que não há muitas personagens femininas na série.
O final da série é deixada de forma bem aberta ao público, sem saber se ocorreu algo para as pessoas que estavam envolvidas no culto original nem sobre o que houve depois com Martin e Rust. Mesmo assim sinto que faltou um pouco mais principalmente pelo que a série entrega para o telespectador, todo aspecto asqueroso, nojento e desconfortável que é apresentado não é tão bem entregue no final mas ainda sim eu passo um pouco de pano principalmente depois da discussão sobre a Luz e a Escuridão, então acaba que o final se torna algo aceitável pra mim.
Por sinal uma coisa que preciso falar MUITO é o quão boa é a atuação tanto do Woody Harrelson quanto a do Matthew McConaughey (por sinal que homem maravilhoso.)
Fica aqui uma das melhores frases do Rust na minha opinião: