2026 é o ano da nostalgia mesmo, insistindo em reviver filmes e franquias que já tinham tido um bom desfecho e ficado no passado. camp rock não é diferente. convenhamos, camp rock é muito mais uma franquia nostálgica do que boa de fato, diferente de high school musical por exemplo que na minha humilde opinião é um bom musical. reviver camp rock tinha tudo pra ser uma ideia ruim, então eu fui com expectativas minúsculas.
acaba que o filme é mesmo isso, uma jogada baseada na nostalgia dos fãs que acompanharam os dois filmes na época de lançamento cerca de 15 anos atrás, porque o filme é construído com base em referências e memórias dos dois primeiros filmes, inclusive retomando muitas músicas em vez de investir em novas. foram, o que, umas seis músicas inéditas (a maioria incrivelmente curtas, vale lembrar) contra seis dos filmes anteriores? ainda que algumas das antigas tenham tocado como "música de fundo" em vez de música principal, com os personagens cantando, mas ainda assim é um número considerável. eu pessoalmente não achei isso tão ruim, porque foi divertido cantar junto e ver as músicas sendo retomadas, mas ao mesmo tempo pro meu lado fã de musicais que gostaria de músicas novas foi um pouquinho frustrante, principalmente considerando que as inéditas duravam no máximo 1 minuto e meio, ou ao menos foi o que pareceu.
relevando a cartada da nostalgia, se for analisar como um filme stand-alone, é um filme terrivelmente corrido e mal desenvolvido. a antagonista não tem metade do carisma e da relevância que a tess tyler, ou que qualquer antagonista de filme poderia ter, ela é completamente esquecível e até o grande plano de sabotagem dela é totalmente descartável e irrelevante, resolvido debaixo dos panos sem que a gente veja e sem causar nenhum problema real. os cinco protagonistas são pouquíssimo desenvolvidos e rasos, apesar de serem gostáveis, afinal o tempo de filme é curto demais para desenvolver CINCO personagens completamente novas e ao mesmo tempo encher o filme de elementos nostálgicos. não vou nem comentar profundamente sobre o "romance" entre a protagonista cujo nome eu sequer lembro e o fletch. por mais que eu não goste, é inevitável comparar com os elementos dos filmes anteriores, e a maior parte do plot de camp rock tem a ver com o romance entre mitchie e shane, e então o 3 traz um novo romance completamente irrelevante, raso e corrido. de qualquer forma, eu não me importo tanto com o romance em si, porque parece que o foco do terceiro filme foi o poder da amizade, e isso sim é algo que eu gosto e valorizo muito, então apesar da falta de profundidade dos personagens e das relações entre eles, foi gostosinho que esse tenha sido o tema principal.
em resumo, foi mais divertidinho de assistir do que eu esperava, mas é só isso. não é nenhuma obra prima e fica evidente que ele não foi feito para ser uma, foi realmente feito para surfar na onda da nostalgia dos fãs, mas até nisso eu acredito que ele vai ser totalmente esquecível e os fãs vão continuar considerando camp rock como uma franquia de dois filmes e um extra que ninguém liga de verdade.