O próximo passo do indivíduo que pensa sobre tudo saber, será sempre uma queda sem volta para o abismo. Porque imbecis que pensam sobre tudo conhecer, nada de fato conhecem.
Quando mais novos, pensamos ter noções intermináveis sobre o ambiente ao nosso redor, impassíveis sobre seus moldes e ignorantes sobre sua imensidão. Quando mais novos, acreditamos ser capazes de nutrir a totalidade do desconhecido, de sua vastidão. Quando mais novos, inconscientemente ou não, saem de nossos lábios as mesmas palavras que por nossos ouvidos entraram, como um disco arranhado, um rádio preso no tempo.
Quando mais velhos, olhamos para trás primeiramente com desdém.
“Que versão tola.”
Dizemos.
E então somos nós os imbecis que pensam sobre tudo conhecer, sem perceber que sem o tolo não poderíamos ascender.
Mas então, quando ainda mais velhos, olhamos para trás e sorrimos.
“Agora eu entendo.”
Dizemos.
“E sinto saudade.”
Lamentamos.
Muitos anos depois, assistiremos a tudo isso com olhos marejados, a angústia sentada ao lado.
“Isso eu poderia ter mudado.”
“Isso eu poderia ter aproveitado.”
Nunca, de fato, amadurecemos. Dentro de nós sempre existirá o ser que pensa sobre tudo conhecer. Amadurecer é, naturalmente, a consequência de quem conhece a agonia de situações que doem na alma, de quem tem consciência sobre a consequência de um erro, ou de um acerto. Mas, principalmente, sobre caminhos traiçoeiros que despertam a compaixão de você, consigo mesmo, ter a oportunidade de mudar. E aceitar.
Como uma pequenina flor com enormes raízes, e o reflexo de cada uma delas na essência de sua existência.