Eu vou ser bem direta: 5 estrelas, favorito do ano, e já entrou na categoria de livro que eu vou reler. E isso é engraçado porque eu fui ler achando que ia ser só “livro de hype” do Instagram e do TikTok, aquele que todo mundo fala e no fim é só ok. Só que não. Esse livro mexeu muito comigo.
O que mais me pegou foi o tema de identidade. Sabe quando a gente vai, aos poucos, adiando a própria identidade pra conseguir caber em grupo, em relação, em expectativa? Aqui isso aparece de um jeito que doeu e curou ao mesmo tempo. A protagonista está se reconstruindo depois de um divórcio, não é spoiler, e o livro acompanha esse processo com uma honestidade que eu achei rara. Não é sobre “superar rápido”. É sobre entender, processar, olhar pra si sem fugir e perceber que você existia antes e ainda existe depois.
E aí vem a parte que me desmontou: a forma como ela vai criando relações e conversas com as pessoas ao redor conforme ela vai entendendo quem ela é. Tem um olhar de fora, quase neutro mesmo, que é muito poderoso. Como se ela finalmente pudesse dizer: eu não preciso te agradar, eu vou te falar a verdade. E ao mesmo tempo, ela enxerga como os outros também estão tentando se encaixar, o tempo todo, e isso cria umas cenas e diálogos que batem fundo. Eu me vi nela em vários momentos. Eu me senti como ela.
Também amei a estrutura. A leitura é muito fluida, mas não é vazia. O livro não fica maçante em nenhum momento, e pra mim o mais gostoso foi justamente isso: eu não amei só o final, eu amei o desenvolvimento inteiro. Desde o comecinho. A forma como a autora constrói as percepções, como ela faz análise sem pesar a mão, como cada capítulo vai encaixando uma peça.
E como bônus pessoal: eu sou suspeita, mas eu amo quando o livro cita literatura de um jeito leve, e aqui isso funciona muito, até porque a protagonista é professora de literatura. Pra mim, foi um ponto altíssimo, porque dá aquela sensação de estar lendo algo inteligente, mas ainda assim humano e acessível.
No fim, eu saí desse livro com uma sensação muito específica: a de que ser quem você é não precisa ser um pedido de desculpas. E é por isso que ele virou favorito.
Estamos na fase da Phoebe ou da Lila?