Michael Jackson e Quincy Jones pegam o que já era excelente em Off The Wall, aprimoram e chutam as portas do cenário musical oitentista sem pedir permissão. Jackson passeia entre o Pop, o R&B e o Hard Rock como quem já entendia esses gêneros, com um nível de sofisticação que ainda é invejável - isso quebrando os estigmas raciais vigentes na época. Que outro disco tem o trio de ouro dos hits(Thriller, Beat It, Billie Jean) em sua seleção de músicas?? BILLIE JEAN, GENTE!!! Música sagrada dessa. E o que dizer daquela guitarra afiada do Eddie Van Halen em Beat It? Impossível não se arrepiar.
Mas se engana quem acha que o álbum se resume à essas canções populares. O disco já inicia convidativo e agitado com Wanna Be Startin' Something, repleta de elementos da afropop que não deixam nenhum corpo estático; passa pela rivalidade romântica entre Michael e Paul McCartney em The Girl Is Mine - faixa divertidíssima; passa pelo soul existencialista de Human Nature - belíssima faixa subestimada; dentre outras belas canções que contribuem para que esse álbum não tenha uma música ruim.
Mas como se não bastasse apenas isso, o fator revolucionário de Thriller transcende sua refinada produção musical. Os videoclipes de MJ transformam completamente a MTV e a forma de vender e consumir música. Não é redublagem, é história sendo contada, é performance viva. O curta-metragem da faixa título então, dirigido por John Landis; uma obra-prima do terror que mudou a cultura pop para sempre.
E com os videoclipes surge também outro fator fundamental pra consolidar a carreira de Michael: os figurinos. O terno de Billie Jean, a jaqueta de couro vermelha de Beat It, o traje vermelho sangue de Thriller... É o Michael construindo sua imagem artística; e o visual atrelado a variedade de sons experimentados(o Pop, o R&B, o Hard Rock, o Afropop e o Soul, como ditos acima) cria-se uma identidade própria.
Thriller não é só um álbum; é uma peça artística que não só mudou a música pop para sempre como tornou Michael Jackson de vez em um ícone pop. É a transformação de um artista em lenda; e um aviso de que a música negra não merece barreiras e rótulos, desafiando estigmas e os limites da criação e da experimentação.
Discaço!
