— Primeira temporada.
A jornada de uma elfa que, infelizmente, tem excesso de intimidade com o termo “tarde demais”. Frieren é a personificação de todos os momentos passados com tanta banalidade mas que, mais tarde, abrem uma cova insensível em seu peito. Que mais tarde abrem cicatrizes, que sequer sua derme tem ciência sobre, de maneira cruel. Pela saudade. Pelo arrependimento de não ter aproveitado o suficiente, de não ter sido esperta o suficiente, de não ter sentido o suficiente. Pela sensação de ser tarde demais. Pelo amargo no paladar ao tentar preencher aquele vazio, com novas pessoas, com novas experiências, com maturidade renovada, mas não obter qualquer sucesso. Porque, querendo ou não, seu corpo pode estar alí, no tangível, mas sua alma sempre caminhará para onde ela pertence, agora intocável. Porém tão tarde enxergamos casa, pertencimento, onde, realmente, é lar.
Frieren caminha e dela tenho um pedaço mim, por tantos íntimos motivos. Apesar de todas as suas qualidades, a obra ainda enfrenta críticas fúteis e sexualização, a maioria delas feitas por pessoas que sentem prazer em estragar qualquer criação que envolva o mínimo de interpretação ao invés de seios pulando na tela, roteiro com a originalidade de um “copia e cola” e falta de tato social.
“Frieren e a jornada para o Além” não foi feito por estética ou para aqueles que desejam lutas sem nexo através de uma narrativa fraca e personagens fáceis, mas sim para aqueles que foram atingidos pelo tempo e ainda estão se recuperando.
— V.
